Opinião | Olhar as árvores do caminho
Aproveito a data para reiterar o que escrevi em alguns cartões de Natal: que, em 2026, faça tempo bom e possamos contemplar as árvores do caminho. Admito: escrevi sobretudo para mim mesmo.
Com frequência, esqueço-me de que, seja qual for o tempo, é muito bom olhar as árvores do caminho. Especialmente nos dias difíceis, este gesto dos olhos – esta atitude do espírito – faz toda a diferença. E, muitas vezes, não é fácil.
Olhar as árvores do caminho é ter calma. É não achar que o que estamos fazendo é a coisa mais importante do mundo. É permitir-se parar: reparar na calçada, nos outros, na arquitetura, no céu, na árvore – em sua sombra, em sua cor, que nunca é a mesma. É aproveitar, no trânsito, o sinal fechado para ver, com olhos novos, a cidade, as pessoas, a vida fora das telas.
Esqueço-me, mas há muitas árvores bonitas no nosso dia. De diferentes jeitos, tamanhos, texturas e idades. Todas elas são seres vivos: alimentam-se, crescem, sentem os efeitos do tempo, modificam-se, produzem sementes e frutos, envelhecem, despedem-se, renascem. Cada árvore é um universo de vida, de troca, de transformação, de contemplação. Cada árvore é um dom. E se falamos isso das árvores, o que dizer de cada pessoa no nosso caminho?
Olhar as árvores........
