Opinião | Reportagens incompreendidas
Um rumorejo arrevesado espreita as melhores redações deste país. A cobertura da ruína do Banco Master, um escândalo com carradas de cifrões, talvez o maior da história bancária dos nossos pobres trópicos, deflagrou azedumes sortidos que põem em dúvida a função insubstituível dos repórteres: apurar o que está acontecendo nas órbitas do poder. O caso adquire relevância porque parte dos queixumes vem de setores que guardam compromissos reais com a causa democrática, normalmente mais propensos a valorizar e defender a vigilância exercida pelos bons jornais.
O mal-estar, disperso e descosido, alastra-se em modulações ora estridentes, ora balbuciantes, sem unidade aparente. Os argumentos, no entanto, parecem ser os mesmos, ainda que com roupagens repaginadas conforme a ocasião. Aponto aqui os três mais chamativos.
A primeira alegação afirma que as reportagens enfeixam uma campanha articulada nas sombras para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal (STF). As notícias sobre o surrupio de R$ 40 bilhões teceriam um complô com o objetivo de desacreditar a instituição que resistiu à tentativa de golpe de Estado e, mais ainda, julgou e condenou os criminosos.
O segundo argumento, que é um prolongamento do primeiro, sustenta que o alvo seria o próprio........
