Opinião | Humilhação espetacular
A captura – ou rapto, ou sequestro – de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado, foi amplamente analisada e comentada na imprensa. Só ficou faltando um pedaço. Além das razões geopolíticas (que levam a Casa Branca a tentar expulsar as influências russas e chinesas do mar do Caribe e da América do Sul), além das pressões exercidas sobre o presidente pela indústria petrolífera norte-americana (que quer beber o óleo extrapesado das águas venezuelanas) e além da ameaça de perda de popularidade interna (que o governo imagina conseguir desviar com agressividade bélica em plagas estrangeiras), há um quarto fator a se levar em conta.
Esse quarto fator é a imagem, a comunicação, a propaganda no seu sentido mais superlativo. Não se pense que seja apenas uma questão de modular a fala ou de escolher a melhor mensagem para o melhor momento. Para o trumpismo, a propaganda açambarca toda a episteme, mais ou menos como aconteceu com o nazismo. No Terceiro Reich, a massificação da ideologia constituiu a única forma de conhecer, explicar e moldar o mundo – na era Trump, a comunicação se realiza como a apoteose performática que reduz o mundo à lógica do entretenimento. Segundo essa doutrina, existir é aparecer, não importa a que custo e não importa........
