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Inteligência Artificial: a experiência humana conta

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A Inteligência Artificial Generativa chegou em força no mundo empresarial. A adoção é massiva e o investimento, milionário. No entanto, o retorno continua a ser limitado. Segundo o estudo do MIT State of AI in Business 2025, 80% das empresas já utilizam IA Generativa, mas 95% ainda não obtiveram um retorno tangível. Ou seja, muitas empresas estão a experimentar, mas poucas estão realmente a transformar-se.

Esta lacuna entre a adoção e os resultados revela uma conclusão clara: o impacto real não está a ocorrer nos projetos mais visíveis ou experimentais, mas sim nos processos de backoffice e na automatização de tarefas rotineiras, onde a IA demonstra benefícios concretos e mensuráveis.

Um bom exemplo é o estudo Humanos + IA na Contabilidade: Evidências do terreno, desenvolvido em 2025 pelo MIT e pela Universidade de Stanford. Com base na análise de centenas de milhares de operações contabilísticas em 79 pequenas e médias empresas, o estudo apresentou resultados contundentes: os contabilistas que utilizaram IA reduziram em 8,5% o tempo dedicado a tarefas rotineiras, melhoraram em 12% a qualidade dos relatórios financeiros e reduziram o tempo médio do fecho mensal em 7,5 dias, o que equivale a 90 dias de trabalho por ano.

O estudo também revela que os contabilistas mais experientes utilizaram a IA de forma mais estratégica, interpretando os intervalos de confiança sobre os dados e aplicando-os às suas próprias recomendações, obtiveram melhorias de desempenho superiores aos seus colegas menos experientes, o que sugere que a experiência humana continua a ser fundamental para maximizar o valor da IA. Estes dados demonstram que o retorno real da IA surge quando esta é aplicada com propósito e contexto.

A lição é clara: a IA oferece um valor extraordinário quando é orientada para resolver problemas reais. Na contabilidade, a tecnologia trata do trabalho pesado do processamento de dados, como salienta a professora do MIT, Chloe Xie, e liberta os profissionais para se focarem na análise e na estratégia. É nestas áreas que a automatização se torna uma vantagem competitiva.

Ainda assim, 62% dos inquiridos manifestaram preocupações quanto à precisão da IA, o que demonstra a necessidade de uma adoção responsável e de utilizar os modelos e dados adequados para cada situação, apoiando-se em parceiros tecnológicos de confiança e em quadros regulatórios sólidos, como o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (AI Act). No entanto, a maioria dos inquiridos também considera que a IA aumenta a satisfação no trabalho ao reduzir o trabalho repetitivo. A prudência não é um obstáculo, é o que transforma a inovação em resultados sustentáveis e compliance.

Na verdade, as empresas que estão verdadeiramente a ter sucesso com a IA fazem-no de forma diferente das demais. De acordo com o MIT, estas têm três características em comum, sendo uma delas fundamental: contar com um parceiro tecnológico de confiança que as acompanha no processo de transformação digital. Além disso, priorizam soluções adaptadas às suas necessidades em vez de as desenvolverem internamente, capacitam os líderes de equipa e utilizadores avançados para liderarem a adoção e exigem uma integração profunda e aprendizagem contínua nas ferramentas que incorporam.

Por isso, quando falamos de IA Generativa, não devemos reduzir a conversa à eficiência ou à moda tecnológica. Estamos a falar de estratégia empresarial e de retorno real. A diferença entre adotar e obter impacto está na forma como se implementa, com que propósito e com quem se faz o caminho.

Em suma, a IA Generativa não substitui o profissional. Potencia-o. Permite que as pessoas dediquem menos tempo à rotina e mais à visão empresarial. Porque, no fim, a verdadeira transformação digital não acontece por se adotar a tecnologia, mas sim pela sua integração com a inteligência humana.

A questão que todos os gestores devem colocar hoje é clara: onde está realmente o retorno do investimento em IA? 


© Dinheiro Vivo