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Contra a transumanidade

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31.05.2026

A primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas, merece ser lida muito para além dos círculos religiosos. O documento representa uma das reflexões éticas mais relevantes dos últimos anos sobre inteligência artificial, tecnologia e poder. Num tempo em que grande parte do debate público oscila entre o entusiasmo ingénuo e o medo difuso, a encíclica recoloca no centro a questão essencial: o que significa permanecer humano numa civilização cada vez mais governada por algoritmos? O mérito principal do texto está em recusar a ideia de que a tecnologia seja neutra. A inteligência artificial não surge no vazio. É concebida, financiada e utilizada por estruturas económicas e políticas concretas. Quem controla os sistemas tecnológicos controla, em larga medida, a informação, o comportamento, o consumo, o acesso ao crédito, ao emprego, à saúde e a própria perceção da realidade. Quando Leão XIV alerta para o risco de reduzir o ser humano a dados, desempenho e produtividade, está a tocar no coração do problema contemporâneo. Nunca........

© Diário do Minho