O “bom” e o “ruim”
Há um filósofo brasileiro, Ariano Suassuna, acérrimo defensor da língua portuguesa, a quem acho imensa graça. Diz ele que o ruim de passar é “bom” de contar e que o bom de passar é “ruim” de contar”. De facto, se eu for falar a alguém do bom que encontrei ao longo da minha vida, por educação, faz de conta que ouve. Mas se o assunto for o de algum desaire que tenha ocorrido comigo, com um familiar ou amigo, aí a pessoa não só fica de olhos arregalados e orelhas guinchas, como quer logo saber, de fio a pavio, todos os pormenores.
Algo idêntico se verifica com a discriminação que alguns dos média lusos fazem das narrativas da soldadesca que, como eu, cumpriu o Serviço Militar Obrigatório. Já que se for algum ex-tropa que tenha ido à guerra colonial e, de preferência, sofrido na pele as suas agruras não só é logo entrevistado, como quase o obrigam a dizer aquilo que ele não quer. Tal é a ânsia de pormenores exclusivos dos horrores que lá viveram. Daí, o apagão que se........
