A palavra como casa do humano: confiança, verdade e futuro comum
A palavra é talvez a coisa mais íntima que temos à mão. Não é só um meio para trocar recados: é um lugar onde nos damos a conhecer. Quando alguém fala a sério, não está apenas a despejar informação; está a expor-se, a comprometer-se e, muitas vezes, a oferecer um pedaço do seu mundo interior. Por isso desejamos que as palavras sejam verdadeiras: porque, no fundo, a palavra transporta a pessoa. Há discursos bem feitos, elegantes, até brilhantes, mas que deixam um travo a vazio quando falta integridade, quando o que se diz não bate certo com o modo de estar no mundo. Pelo contrário, a palavra de quem procura ser inteiro ganha uma beleza própria, porque a coerência dá espessura ao sentido.
Escutar entra aqui como um ato de reconhecimento. Dar a palavra a alguém é aceitar que o outro pode trazer algo que nos falta e é já admitir que a verdade pode vir de fora de nós. E há um sinal quase elementar dessa intimidade: o nome. Cada pessoa tem um nome único; sabê-lo, pronunciá-lo com respeito, não é uma........
