O Minho e a coragem de se governar mais perto
Almeida Garrett escreveu que, de todas as viagens que fizera, as que mais o interessaram foram “as viagens na minha terra”. A frase tem qualquer coisa de profundamente minhoto. Porque o Minho não é apenas um território que se percorre: é uma terra que se reconhece. No granito, no verde, nas igrejas, nas romarias, nas fábricas, nas universidades, nas misericórdias, nas aldeias, nas cidades e nessa forma muito própria de pertencer a um lugar sem precisar de o proclamar todos os dias.
Mas há uma pergunta que Portugal evita há demasiado tempo: pode uma terra com esta identidade, esta densidade social, esta capacidade económica e esta história continuar a ser governada quase sempre à distância?
A regionalização anda esquecida e não pode ser um capricho administrativo. É, antes de tudo, uma questão de maturidade democrática. Durante décadas, Portugal habituou-se a discutir o território a partir da capital. O país foi sendo pensado de cima para baixo, como se a inteligência estratégica estivesse concentrada em Lisboa e o resto da nação fosse apenas destinatário de decisões. O resultado........
