Calamidade e proximidade
As intempéries que assolaram o país deixaram um rasto de destruição visível nas infraestruturas, nas habitações e na vida de milhares de famílias. Estradas cortadas, linhas férreas interrompidas, escolas encerradas, prejuízos elevados na agricultura e no comércio local: o cenário repetiu-se de norte a sul, expondo fragilidades que há muito eram conhecidas, mas nem sempre enfrentadas com a determinação necessária.
No passado sábado, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, escreveu na rede social X que as tempestades “puseram a nu algumas das debilidades de planeamento e de falta de prevenção que grassam no nosso País”. A afirmação, vinda de uma instituição que não intervém diretamente na gestão do território, deve ser lida como um alerta institucional: os fenómenos extremos não são apenas acontecimentos meteorológicos – são também testes à qualidade do planeamento público.
Se os eventos climáticos têm sido cada vez mais intensos e imprevisíveis, também é verdade que muitas das consequências mais gravosas resultam de opções acumuladas ao longo de décadas: ordenamento do........
