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A regra e o poder

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26.02.2026

Há momentos em que a relação entre a regra e o poder se revela com clareza inesperada. No mundo do xadrez, um dos episódios mais discutidos ocorreu numa partida entre Garry Kasparov e a jovem húngara Judit Polgár, em 1994. Durante o jogo, Kasparov tocou numa peça, chegou a largá-la numa casa e, segundos depois, reconsiderou e voltou a colocá-la na posição original. Pelas regras do xadrez, isso não é permitido: a regra “peça tocada, peça jogada” existe precisamente para impedir que a vontade momentânea substitua a responsabilidade da decisão. Ainda assim, o lance prosseguiu sem sanção. E fez, porque sentia poder no mundo do xadrez.

Durante anos, esse momento foi analisado, revisto em vídeo e debatido. Não apenas pela irregularidade técnica, mas pelo simbolismo. O maior jogador do mundo, modelo de rigor e disciplina intelectual, permitira-se uma exceção. Talvez tenha sido hesitação humana, talvez impulso, talvez a confiança de quem acredita que o seu estatuto o protege das consequências. Independentemente da intenção, o episódio tornou-se uma metáfora sobre o poder e a tentação de agir como se as regras........

© Diário do Minho