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A culpa, o cansaço e a justiça mediática

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18.07.2026

Vivemos num tempo que já não sabe perder. A derrota deixou de ser um acontecimento para passar a ser uma acusação. Quando algo falha, raramente perguntamos primeiro o que falhou no sistema. Preferimos perguntar quem é o culpado. É mais rápido, mais emocional e, sobretudo, mais confortável.

Byung-Chul Han, ao descrever a sociedade do cansaço, fala-nos de um mundo dominado pelo desempenho, pela pressão permanente, pela obrigação de parecer bem e vencer sempre. A pausa parece fraqueza, a tristeza parece derrota, o insucesso parece culpa. Tudo tem de ser explicado, julgado e condenado no instante.

Foi isso que se viu, em pequena escala, na recente eliminação de Portugal. Perante a derrota, rapidamente se procurou um rosto: Cristiano Ronaldo. É legítimo discutir o seu papel, a sua idade, o seu lugar na seleção e o futuro da equipa. Mas é pobre reduzir uma derrota coletiva a um só jogador. Cabe sobretudo a quem não a pensou e não a antecipou.

A mesma lógica atravessa a nossa vida pública. Procuramos culpados visíveis para evitar perguntas mais profundas. Queremos uma cabeça, uma fotografia, um nome.........

© Diário do Minho