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André, Frederico e Rui: metam pés ao Caminho

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friday

Regressado do Caminho a Santiago, é sempre necessária uma grande dose de adaptabilidade para reentrar no dia a dia escolar e do país desportivo. À escola chegamos em tempo de reuniões de avaliação, com tudo o que as mesmas implicam em termos de grelhas, propostas, atas, justificações de notas, com colegas stressados, tentando não falhar no cumprimento zeloso dos aspetos burocráticos.

Depois, e porque O Caminho também é uma atividade de resiliência e superação, que nos induz a interagir com tolerância, empatia, ética e responsabilidade, percebemos que tem muito daquilo que necessitamos para um desporto mais puro. Isto porque, no regresso percebemos que no desporto nacional pouco mudou e…até piorou. As primeiras páginas dos jornais desportivos mostram presidentes a serem recebidos pela ministra, ou na AR, e a “elogiarem-se” com adjetivos de “miserável” ou “patético”; um outro jornal, até titula “sem tréguas”, parecendo estar a referir-se aos conflitos no Médio Oriente; e o outro, fala candidamente em “alta tensão” parecendo esquecer que a hipertensão é um dos principais fatores que levam às causas de morte mais comuns. Os espaços de comentário televisivo são sobre lixívia e outros produtos de limpeza… os quais, convenhamos, são mesmo necessários, para aplicar a quem prevarica e sente que o poder de ser (considerado) grande os iliba. E o artigo definido masculino plural - os - não é colocado inocentemente, pois não me refiro apenas a um clube. De carros de adeptos incendiados a cheiros suspeitos em balneários, a adeptos mortos por atropelamento, a atitudes racistas nas bancadas e comportamentos xenófobos e contrários ao fair-play dentro de campo, há de tudo.

Aos presidentes dos três clubes que tudo absorvem no nosso país, deixo uma questão: que marca indelével entendem que deixaram aqueles que vos antecederam nas presidências? Refiro-me ao Jorge, ao Bruno e ao Luís. Internamente, eu sei, cada um conta os títulos e esquece como alguns foram conquistados; mas, externamente, para os outros e para as competições, que marcas deixaram? Processos judiciais, e-mails, corrupção, violência, invasões a centros de treinos (próprios e de outros), mortes, entre outros episódios.

Parafraseando o meu amigo José Mário Cachada, Embaixador da Ética no Desporto, apetece perguntar: que marca querem vocês - André, Frederico e Rui - deixar quando saírem? Um líder manda, ou inspira? Porque, como ele próprio diz, liderar não é dominar, é servir; um líder não se impõe, afirma-se; não controla o grupo, cuida dele. E, no fim, não são as ordens que ficam. Não são os gritos que marcam. O que fica, são as atitudes.

Uma sugestão: no período pré-Mundial, juntem-se e vão fazer O Caminho de Santiago. Vão perceber que unidos num mesmo propósito, por algo maior que vós - em benefício do desporto nacional - todas aquelas funções de líder, acima mencionadas, terão outro cabimento nas vossas mentes. Se aprenderem com os vossos erros, a palavra “ÉTICA”, da qual todos abusam, mas cujo significado poucos parecem conhecer, poderá finalmente ganhar o valor que merece no desporto nacional.


© Diário do Minho