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Jesus Cristo, o sedutor

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13.03.2026

No tempo que corre, vive o Mundo católico a Quaresma, o tempo da doação de Cristo ao sofrimento e à morte, pelo resgate de todo o homem. É oportuno por isso, no texto de hoje reflectir sobre o Cristo da cruz, sobre o filho daquela menina que, através do diálogo e conscientemente, aceitou ser mãe, segundo o convite de Deus.

Milhões em todo o mundo testemunham e acreditam que o nascimento de Cristo foi o maior acontecimento entre a Humanidade. Pelo que ensinou, pelo que fez e pelo que testemunhava publicamente da sua origem. Embora pareça ter morrido sem honra para uns, o que é (estrondosamente) estranho para outros é ter vivido depois de morto! Nisso creio. É que Ele é de ontem, de hoje e de sempre.

Mas Cristo, será sempre, para muitos homens, o inimigo do mundo, dos anjos caídos, das vidas e das guerras bestiais da maioria. É que Ele surgiu/veio, para que os animais se tornem homens e os homens em santos homens.

Quem saboreia o Evangelho conclui – sem quaisquer dúvidas – que Jesus Cristo é Filho de Deus: Irmão mais velho de todos os homens e o verdadeiro e eterno emigrante: está em todos os lados.

O cristão que conhece o que Cristo ensinou pode ter dúvidas quanto ao que Deus, por vezes lhe pede ou pelo que acontece. Mas ao saborear ou ao viver tais ensinamentos, aconteça o que acontecer, jamais esquece que “Cristo é Caminho, Verdade e Vida”.

Cristo ensina que todos os perseguidos terão grande recompensa no Céu, se o forem por causa do Seu nome. Mas a Igreja de Pedro, em nome da Verdade, tem de ensinar a combater a perseguição: repondo a justiça, ensinando o homem a obter a paz; denunciando os perseguidores, os donos da guerra e os actos ou leis político-sociais que prejudiquem o homem. Seja onde for ou quem quer que seja.

Cristo propôs aos discípulos uma anti hierarquia: afirmou que o “maior” é aquele que mais serve, honra e se preocupa com os outros, no tocante à tolerância, à solidariedade, ao amor, a metas colectivas, à cooperação, entre outros.

O que é humano sempre acaba, inclusivamente ideias e ideais antigos ou modernos.

O cristianismo não: tem mais de dois mil anos e nunca ninguém o matou, embora muitos tenham tentado fazê-lo. Podem até tentar escondê-lo. Mas tirar-lhe a vida ou a luz, nunca! É que a Central donde vem tal energia, tal luz, é intocável.

O cristianismo tem “mistérios” e é sobrenatural. Assim no-lo explicam Jesus Cristo, os Evangelhos e os santos. Por isso, não poderá nunca, ser submetido somente à razão. Se fosse, seria uma religião absurda, ridícula e nada sobrenatural.

Li que a psicologia clássica “nasceu como uma grande ciência há mais de um século”! Mas Cristo, há mais de dois milénios exerceu uma psicologia preventiva e educacional, que até aos dias de hoje tem dado que falar ao mundo.

Para a ciência, Jesus Cristo ainda é um grande enigma. Será filho de Deus? Multiplicador da matéria? Autor da existência? Adivinho? Quem quer que seja, os seus actos e as suas palavras, ainda hoje são alimento daqueles que defendem a paz e acreditam no amor.

Há quem afirme que Jesus Cristo é e foi sedutor. 

Concordo: conseguiu fazer-se irmão de todos; junto de muitos transformou a matéria; curou e deu vida a mortos; deu-se a comungar como homem na última ceia; como ressuscitado anunciou-se aos discípulos de Emaús e, como pertença do Céu deu-se a toda a Igreja na Terra.

Há milhões de homens, ainda hoje, com cultura elevada, que, ao se ufanarem, dizem não acreditar em Deus. Jesus Cristo, quando da sua vida pública, conhecia este género de Almas e disse, olhando os céus: “Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do céu e da terra porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos”.

Finalmente afirmar que não chega “ser humanista”; “não fazer mal a ninguém” ou dizer “eu cá tenho a minha fé”. Estudar e escutar a Palavra de Deus é necessidade absoluta para que o homem não morra à sede ou fique estático, espiritualmente. 

Para isso, torna-se imperioso ter tempo e vontade – mas convém não esquecer que Deus é o Senhor do tempo – embora seja preciso, por vezes, abdicar de algo para se ter tempo.


© Diário do Minho