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Rio Fervença e o "Olha mas não Biques"

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18.09.2026

Rio Fervença e o "Olha mas não Biques"

Bragança vai receber cinco milhões de euros para requalificar o rio Fervença, mas continua a ser dos raríssimos municípios do país sem uma única praia fluvial oficial. Entre passadiços e repuxos de oxigénio que funcionam como perfume em doente sem consulta, uma reflexão acutilante sobre a urgência de usar a ciência local para limpar a água antes de se decorar a moldura.

O Banho que nos Negam: Entre a Cosmética das Margens e o "Olha mas não Biques"

Diz o povo, com aquela sabedoria típica que não se aprende nos livros, que não devemos julgar um homem pelo fato, nem um rio pelo verde das suas margens. Antigamente, os rios de Bragança eram como a palavra dada: limpos, transparentes e sem letras pequeninas. O Fervença, o Sabor e o Maçãs eram o nosso parque aquático natural, muito antes de inventarem o cloro. Mergulhávamos de cabeça, a água lavava-nos a alma e ninguém precisava de um manual de instruções ou de um repuxo artificial para saber que a corrente era boa. Tinha a limpidez da verdade.

Hoje, a nossa praça pública digital e os comunicados oficiais preferem focar-se na engenharia da ilusão. E bastaram vinte e quatro horas de notícias, em meados de setembro de 2026, para assistirmos a um autêntico choque frontal de realidades que daria uma excelente comédia de costumes, não fosse o caso de envolver o erário público.

O Choque dos Milhões e o Balde de Água Fria

Primeiro, veio o anúncio com pompa, circunstância e muitos zeros: quase cinco milhões de euros para requalificar 3,7 quilómetros do rio Fervença. Prometem-nos........

© Diário de Trás-os-Montes