O impensável e inaceitável aconteceu
O impensável e inaceitável aconteceu
No passado domingo, dia 15 de fevereiro de 2026, à revelia da decisão tomada em reunião dos membros da Associação Dona Flâmula (Torre de Dona Chama, Mirandela), o Grupo de Caretos, desta localidade - encabeçado pelo Sr. Adérito, Firmino e outros -, resolveu desobedecer e queimou um fato de Careto, humilhando a população, a Associação no seu íntimo e desrespeitou o Património Cultural Imaterial, tendo gerado um estado de revolta e indignação pelo sucedido, em toda a população.
O Grupo de Caretos quis afirmar-se ao tentar uma cópia reles da queima do “Mascareto”, que ocorre em Podence e noutras localidades transmontanas. Mas esqueceu-se da identidade muito própria, personificada nesta figura da tradição local – os Caretos atuam nos dias 25 e 26 de dezembro, através de “um conjunto de atos performativos rituais” conducente à reconquista do Castelo aos Mouros, sendo aliados dos Mouros. Não existe qualquer ligação dos Caretos às festas carnavalescas, nem a outras.
Os envolvidos nesta iniciativa horripilante devem, imediatamente:
1) Pedir a demissão e sair do Grupo de Caretos;
2) Um pedido de desculpas à população e à Associação Dona Flâmula;
3) Responder pelo sucedido:
(a) Dano Patrimonial: Se o fato queimado pertencia à Associação ou foi confecionado com fundos públicos/comunitários, cabe queixa por crime de dano (Art.º 212.º do Código Penal).
(b) Património Cultural: Sendo uma tradição inventariada no MatrizPCI - Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a descaracterização intencional pode ser reportada à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) para que fique registado o incidente como uma ameaça à salvaguarda da tradição.
A Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão de Torre de Dona Chama, é Património Cultural Imaterial.
“Ficha de Património Imaterial
• N.º de inventário: INPCI_2022_005
• Domínio: Práticas sociais, rituais e eventos festivos
• Categoria: Festividades cíclicas
• Denominação: Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estevão de Torre de Dona Chama
• Outras denominações: “Festa dos Caretos”, “Santo Estevão”, “Ciganada”, “Burricada”, “Mourisca” ou “Correr/Corrida (d)a Mourisca”
Caracterização síntese:
A Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão decorre anualmente, entre a tarde de 25 de dezembro e a tarde de dia 26. Caracteriza-se, assim, por se desenvolverem ao longo de cerca de 24 horas um conjunto de atos performativos rituais…”
Para mais informações, consulte o link Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
Face ao exposto, a Associação Dona Flâmula emitiu o seguinte comunicado:
“A Associação Dona Flâmula vem esclarecer que a queima de um fato dos Caretos, ocorrida recentemente, foi realizada sem qualquer autorização, deliberação ou enquadramento formal da associação.
Importa referir que o evento em causa havia sido previamente cancelado por decisão democrática tomada em reunião, decisão essa que incluía igualmente o cancelamento do respetivo cartaz. Essa deliberação foi contrariada, tendo o evento decorrido à margem da posição oficial da associação.
O traje em questão não se encontra inventariado no património formal da associação, por integrar o denominado grupo dos Caretos. Contudo, tratando-se de um elemento representativo da identidade cultural local, a sua destruição suscita nossa legítima preocupação institucional.
A Associação Dona Flâmula rejeita e repudia expressamente o ato praticado, por entender que tal comportamento não dignifica a tradição, nem respeita os princípios de responsabilidade, organização e respeito cultural que devem nortear qualquer manifestação ligada ao património local.
Esta ocorrência vem igualmente evidenciar as dificuldades que a associação tem enfrentado na articulação com o grupo dos Caretos, dificultando uma gestão estruturada, transparente e institucionalmente responsável.
A Associação Dona Flâmula reafirma que atua exclusivamente com base em decisões coletivas, registadas em ata, mantendo o seu compromisso com a legalidade, a organização e a defesa digna do património cultural da Torre de Dona Chama.
O Grupo Recreativo Amigos de Torre de Dona Chama, também se pronunciou publicamente:
“O GRAT em concordância com a atual direção da Associação Dona Flâmula manifesta a sua total e inequívoca condenação relativamente ao episódio da queima de um fato de careto, um ato que considera profundamente desrespeitoso para com o património cultural, a tradição e os valores que defende e promove. A destruição de um símbolo identitário constitui uma atitude inaceitável, contrária aos princípios de respeito, preservação e valorização das tradições locais.
Nesse sentido, e até que seja retirado qualquer poder de decisão ou representação aos responsáveis por este ato, não iremos realizar quaisquer atividades conjuntas com o atual grupo de caretos, reafirmando o seu compromisso com a defesa do património cultural e com princípios de responsabilidade e respeito pela herança cultural.”
Que este acontecimento macabro seja o pronúncio do fim de um ciclo – o Grupo de Caretos perdeu toda a legitimidade de representação dos Caretos e tem de ser integrado na Associação Dona Flâmula.
Nas últimas Eleições Autárquicas 2025, os Caretos foram usados em atos de campanha eleitoral, conforme fotografias.
Quanto ao presente caso - queima do fato do Careto -, o Presidente da Junta de Freguesia…não se pronunciou – aliás, nada diz e quando faz qualquer "coisita"…sai asneira da grossa (no verão passado, colou fotografias dos símbolos identitários da cultura de Torre de Dona Chama em caixotes do lixo - achando o local adequado para a promoção cultural - e quem diga o contrário é alvo de ataques de fúria - quando bem avinhado -, lembrando às pessoas de que é ele quem manda e todos lhe devem submissão), não quer saber de nada, não o perturbem, não lhe deem trabalho nem preocupações, demonstrando estar ali apenas e só pelo ordenado.
Assim vai uma terra onde não se pode emitir uma opinião construtiva, sendo de imediato vilmente atacados pelos correligionários do Presidente da Junta de Freguesia - grandes amigalhaços das tascas e convívios, onde são tomadas parcas, torpes e disfuncionais decisões para a Freguesia.
As vozes discordantes, do Presidente da Junta de Freguesia, quando saem à rua, demonstram um grande ato de coragem: uns viram-lhe a cara, outros lançam-lhes ameaças de todo o tipo.
A democracia não chegou aqui.
A Freguesia perde população a todo o instante.
Há cada vez mais desunião.
Não há incentivos à fixação da população, nem são procurados apoios junto da autarquia e outros promotores do desenvolvimento – relembro a população de que o Presidente da Junta de Freguesia nunca abriu a boca para pedir algo para a Freguesia, nas Reuniões da Assembleia Municipal de Mirandela, e senta-se na última fila para não ser perturbado.
Os habitantes que não querem incomodar-se com o atual estado a que a Vila chegou, ou vão-se embora, ou resignam-se com o nada que a terra tem para lhes oferecer.
© Teresa do Amparo Ferreira, 17-02-2026
Caixote do lixo com fotografias dos símbolos culturais de Torre de Dona Chama, coladas pela Junta de Freguesia:
Os Caretos usados em campanha eleitoral autárquica de 2025:
