A farsa da Borralha: O marketing verde que escorre pela encosta abaixo
A farsa da Borralha: O marketing verde que escorre pela encosta abaixo
“A nova Mina da Borralha nasce moderna, sustentável e de portas abertas à comunidade.” O título tem ecoado com o tom polido do marketing corporativo. Logo de seguida, desdobra-se a habitual cartilha para tranquilizar as consciências: promessas de emprego, apelos à geopolítica europeia, garantias de uma "paisagem intocável", juras de proteção ao Património Agrícola Mundial do Barroso e, no auge do apaziguamento social, a criação de uma "Comissão de Acompanhamento" acompanhada pela promessa de um futuro parque ambiental quando tudo terminar. É uma operação de comunicação milimetricamente desenhada, feita para convencer as populações de que os impactos do presente são apenas o prelúdio para um legado idílico. Mas basta dar alguns passos além das notas biográficas institucionais e subir à encosta de Salto, em Montalegre, para confrontar esta utopia com a realidade física do terreno.
A Prática Operacional à Prova de Bala
A verdadeira face desta fase inicial da operação da Minerália não se encontra nos ecrãs de computador nem nos desenhos imaculados. Encontra-se nas lamas espessas e acastanhadas que se acumulam nas encostas. Na fase de prospeção e sondagem — aquela que nos é apresentada como um processo estritamente científico e controlado —, o cenário que as populações enfrentam no terreno exibe uma fragilidade material preocupante.
Enquanto os folhetos institucionais celebram a vanguarda técnica, o solo do Barroso é ocupado por sistemas de decantação........
