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Os Estreitos

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21.04.2026

A língua portuguesa é muito traiçoeira, como costuma dizer o nosso maior cómico, Herman José. Fá-lo através da atitude e da atividade de nos pintar o quadro social com aquilo que temos e com os desejos daquilo que queremos parecer ser.

Como exemplo da complexidade e da enorme possibilidade de um termo dito ou escrito na língua que nos cabe falar — fruto do seu longo percurso e da sua raiz no latim, que nos serviu para rezar sem perceber o significado, mas que também fundamenta e enriquece o idioma —, socorro-me da palavra “estreito”.

É um maná de significados. Um verdadeiro cardápio, para nos entendermos melhor. Um estreito, por definição, é algo não muito largo. Pode ser um buraco por onde passa uma agulha; pode ser um beco que nunca chegou a ser rua, porque não lhe deram oportunidade; pode ser algo com medidas exíguas em relação ao que o rodeia. Mas pode também ser um sítio com extensão de quilómetros que, ainda assim, é pequeno relativamente ao quase imenso que o circunda.

O Estreito de Ormuz tem andado na baila, por causa de desaguisados impensáveis e sem nexo,........

© Diário de Trás-os-Montes