Ir ao Cinema
Acabei de ler que o ano de 2026, começou com 450 salas de cinema abertas, menos 112 do que no final de 2025, e tive um duplo sentimento de nostalgia e de pena. Uma amargura, mesmo, que me adveio da noção de que aquilo que está em causa, muito mais do uma maneira de se assistir a uma fita, é o desaparecimento de uma certa forma de se viver em comunidade.
Sou do tempo em que ir ao cinema era uma absoluta atitude social. Fora das cidades de Lisboa e do Porto, havia dias e horas certas. Comummente, à quarta-feira à noite para os mais afoitos e arredios do se ir dormir logo depois do jantar, pois no dia seguinte era tempo de horários a respeitar e de trabalhos a se fazerem, para o ganhar o pão nosso dia-cada-dia e, durante o fim de semana, com as suas horas de descontração, de exibição e de veraneio.
Principalmente para as sessões nestes dias de folga, vestiam-se roupas que diziam do papel, do patamar e da importância de cada qual na comunidade, onde os atavios serviam para tapar, mas também para mostrar personagens e personalidades. A disposição das cadeiras na sala de exibição marcava, delimitava e diferenciava, pois não havia preço único no bilhete de acesso.
Conforme as respetivas........
