Lítio vs População: Quem decide o futuro do Barroso?
Lítio vs População: Quem decide o futuro do Barroso?
7A Região do Barroso, em Trás-os-Montes, é o único território português reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). As suas serras e o seu relevo acidentado são recortados por rios e ribeiras, contando com quatro barragens distribuídas por duas bacias hidrográficas: Alto Cávado e Alto Rabagão. Na paisagem predominam o carvalho-negral e os pinheiros na zona florestal, além de vidoeiros junto das linhas de água - habitats do lobo-ibérico, do corço do Gerês e da águia-real, entre outras espécies.
A preservação desta envolvência deve-se à criação de gado de raças autóctones (ovinos, caprinos, bovinos e suínos), que protegem os ecossistemas ao controlar a vegetação e ao reduzir o risco de incêndio. Soma-se a isto a manutenção dos lameiros, o pastoreio extensivo e outras atividades desenvolvidas pelas populações locais, que deram origem a um mosaico composto por pastagens, áreas de cultivo e zonas florestais. Neste sentido, a classificação do Barroso pela FAO visa promover e salvaguardar este património agrícola único.
Desde 2001 e, principalmente, após 2017 - ano em que a Imerys Ceramics Portugal, S.A. transmitiu a concessão da Mina do Barroso à Slipstream Resources Portugal, Lda. (uma joint venture entre a Savannah Resources, com 75%, e a Slipstream Resources Investments, com 25%) -, esta região está no centro do debate público. O motivo prende-se com os projetos de prospeção e exploração de lítio, justificados por um processo de descarbonização em prol de energias mais limpas e inovadoras. Emanuel Proença, CEO da Savannah Resources Portugal, defende que o projeto trará visibilidade ao país, posicionando Portugal como um player estratégico de lítio na Europa. O responsável aponta ainda o retorno socioeconómico positivo da exploração, prevendo a fixação de infraestruturas e o regresso de famílias e de população em idade........
