O Portugal que ficou barato, mas só para os estrangeiros ricos
Antes que me cancelem, preciso dizer: eu vou revelar para vocês um Portugal que eu ando e por favor, não finjam que não conhecem. Eu sou moradora da Baixa-Chiado. E, sinceramente, há dias em que eu acho que já não falo português. Falo uma língua híbrida, confortável, internacional, onde o “obrigada” convive pacificamente com o “brunch” e o “natural wine”.
A verdade é simples: o único Portugal que ainda é barato é o Portugal criado pelos estrangeiros. E, acreditem, Portugal ainda nos enlouquece, para o bem e para o mal.
Um amigo americano, por exemplo, entrou em colapso existencial ao descobrir que uma Imperial custa dois euros aqui, enquanto nos Estados Unidos são oito dólares. Basicamente, ele tornou-se alcoólatra por essa oportunidade de mercado. E não, não é exagero: Portugal é capaz de fascinar qualquer um com esses pequenos “milagres” do quotidiano.
Mas ainda há um Portugal que continua com preços “de Portugal”. Porém, é preciso saber onde entrar. É o Portugal da vida gourmet. Das degustações prolongadas. Das feiras com vegetais biológicos aos sábado no Príncipe Real, com preços de banana (como dizemos no Brasil). Aliás, ali estão as melhores amoras........
