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Poder sem credibilidade: os improvisos da crise EUA–Irão

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26.06.2026

Apesar da sua complexidade política, das contradições e das turbulências, as negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irão podem ser avaliadas de forma positiva. Depois de meses de combates diretos, foi assinado um memorando de entendimento e estabelecido um quadro para um cessar-fogo, com o Paquistão e o Qatar a atuar agora como mediadores. Porém, a crise não está resolvida e uma análise objetiva das suas várias dimensões revela importantes lições para as relações internacionais.

Quando os EUA iniciaram os ataques contra o Irão, em estreita coordenação com Israel, esperavam um desfecho rápido e a rendição total do adversário. O resultado foi outro. O Irão respondeu, interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz e mostrou que não seria derrotado sem impor custos elevados aos atacantes. A eliminação, no início do conflito, do Líder Supremo, o Aiatola Ali Khamenei, não provocou o colapso do regime iraniano que Washington antecipava. A tática da “decapitação” da liderança mostrou-se falível, contrariando certas doutrinas militares. O Irão designou uma nova chefia e manteve a capacidade de resistência.

Isso mostrou, do lado americano, uma falha de avaliação do contexto, com um impacto muito sério sobre a credibilidade política da Casa Branca – algo muito mais difícil de reconstruir do que novos arsenais. Credibilidade não se mede pela escala das ofensivas. Resulta da coerência política, do respeito pelos compromissos e da confiança que uma potência inspira –........

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