ONU: restaurar a confiança e impulsionar a transformação
A 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas abriu oficialmente a 8 de setembro. O seu segmento de alto nível, que reúne em Nova Iorque chefes de Estado e de governo entre 22 e 28 de setembro, decorre sob o lema Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: uma ONU que entrega resultados para todos. Para uma organização em crise, embora insubstituível, o teste decisivo não está no vigor do lema, mas na capacidade de traduzir a atual geopolítica em decisões concretas. Num momento em que decorre a escolha do sucessor de António Guterres, os discursos deveriam concentrar-se em três prioridades, cada uma medida por factos, não por intenções: promover a paz, estabelecer uma governação multilateral da Inteligência Artificial e recolocar o desenvolvimento humano no centro da segurança internacional.
A primeira prioridade é a paz. Os números desmentem a narrativa de normalização. Em Gaza, o acordo de cessar-fogo de outubro de 2025 previa a entrada de 600 camiões de ajuda por dia. Estamos muito longe desse número. Uma parte substancial do pouco que entra é carga comercial e não ajuda humanitária canalizada pelas agências. É essa distância entre o acordado e o executado, não a existência do cessar-fogo em si, que define o sofrimento civil quotidiano.
No Sudão do Sul, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos documentou, num período de 17 dias em março, mais de 160 civis mortos e cerca de 99 poços de água destruídos ou........
