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Ser Mulher (também nos dias que correm...)

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10.03.2026

“Não me importo viver num

mundo de homens, desde que

me permitam ser mulher.”

(Não em jeito de disclaimer, mas de lamento: na semana passada morreram dois homens que farão muita falta. Lobo Antunes, cujos livros me foram apresentados logo na adolescência pela mulher do meu primo Eugénio de Oliveira, fez-me companhia em muitas tardes passadas em Janas, casa onde fui muitíssimo feliz e que recordo sempre com imensa saudade, quer pelas mais diversas pessoas que ali passaram sempre pelos braços generosos do seu proprietário, quer pelas leituras, iniciadas pela Memória de Elefante, que me marcou para todo o sempre.

Nuno Morais Sarmento, advogado, quase sempre nos meus antípodas, grande amante do mar, era um adversário tão leal quanto temível pela inegável inteligência e rapidez. Cada vez mais, sobra a sensação de que os melhores nos estão a abandonar, deixamo-nos entregues a personagens burlescas de histórias lamentáveis, como é, entre muitos outros, o caso agora publicamente conhecido de Mafalda Guerra Livermore.)

A frase que dá início a estas linhas foi proferida por um dos símbolos da minha adolescência. Obrigada ao permanente estatuto de sex symbol, Marilyn Monroe acabou por ser vítima desse mundo onde, anos antes, disse não se importar de viver, demonstrando-se assim que, neste caso concreto, estava errada.

Ao contrário do que subjaz a esta afirmação, o........

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