Por que ainda se justifica, se calhar cada vez mais, celebrar o 1.º de Maio?
“Era ele que erguia casasOnde antes só havia chão.Como um pássaro sem asasEle subia com as casasQue lhe brotavam da mão.Mas tudo desconheciaDe sua grande missão:Não sabia, por exemploQue a casa de um homem é um temploUm templo sem religiãoComo tampouco sabiaQue a casa que ele faziaSendo a sua liberdadeEra a sua escravidão.”
Vinicius de Moraes – "O operário em construção"
A história deste feriado remonta ao dia 1 de Maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago, com o objectivo claro e declarado de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente no que se reporta à redução da jornada de trabalho diária, que chegava a atingir as 17 horas, para 8 horas. Durante a manifestação, houve confrontos com a polícia, resultando em prisões e mortes de trabalhadores1.
Foi este o evento que serviria de inspiração para muitas outras manifestações que se seguiriam em diversas geografias e que viriam a culminar na fixação de um conjunto de direitos, entre os quais a duração máxima da jornada de trabalho que, na maior parte dos países ditos industrializados, foi fixada em oito horas.
Por exemplo, até hoje, e fruto do resultado de alguns dos protestos seguintes, os Estados Unidos da América recusam-se a reconhecer a data como o Dia do Trabalhador, enquanto em Portugal o Dia do Trabalhador é celebrado desde 1890, pese embora........
