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O triunfo da honestidade: Por que o Fiat Panda continua a ser o melhor carro do mundo (e arredores)

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11.09.2026

Lá em casa mora um Fiat Panda de 2014. Pertence à patroa, mas sempre que posso saco-lhe a chave com o mesmo entusiasmo com que alguns pediriam as chaves de um desportivo para uma voltinha num circuito ao fim de semana. O carro tem mais de uma década de vida nas rodas, mas anda ali impecável: arranca à primeira, estaciona em lugares onde os SUV modernos parece que nem o retrovisor conseguiriam enfiar, e faz tudo com uma leveza e uma despretensão que hoje em dia parecem ter sido banidas da indústria automóvel.

Talvez só quem nunca conduziu um destes pequenos carros seja incapaz de compreender o porquê do seu êxito – e da sua longevidade. Afinal, o modelo que hoje a Fiat vende, novo, sob o nome carinhoso de Pandina é, milímetro por milímetro de chapa, rigorosamente o mesmo carro apresentado ao público no Salão de Frankfurt em setembro de 2011. Mais: descasca-se a pele desta versão, o Tipo 319, e no osso encontramos a mesmíssima plataforma Mini estreada em 2003 pelo brilhante Panda de segunda geração – aquele veículo mais "quadradão", mas de que ainda atualmente vemos muitos a circular.

Numa era em que a eletrónica azeda mais depressa do que um iogurte e os construtores sentem a urgência patológica de mudar grelhas e óticas a cada três anos (qual quê… seis meses!), este pequeno cubo italiano sobreviveu a quatro presidentes norte-americanos, à convulsão da fusão FCA-PSA e a um terramoto regulamentar das omni-sapientes autoridades comunitárias sem precisar de disfarçar as suas rugas. E a verdade é que nunca fez tanta falta.

A genialidade do "Squircle" e do espaço real

Diz o bom senso popular que um carro citadino é acanhado. Só que o Panda ri-se à gargalhada perante essa presunção.

Com uns modestos 3,65 metros de comprimento e 1,64 metros de largura, a terceira geração do Panda é um compêndio de engenharia de aproveitamento espacial (o packaging). A altura do tejadilho e a posição vertical dos bancos – o chamado H-point sobrelevado – garantem que quatro adultos viajam sem bater com os joelhos no queixo, nem o crânio no forro do tejadilho.

A grande bolsa aberta que rasga o tablier à frente do passageiro dianteiro é um tributo direto à genial "rede de mercearia" que Giorgetto Giugiaro desenhou no modelo pioneiro de 1980: descomplicada, profunda e pronta para lá enfiar garrafas de água, carteiras ou o brinquedo que os miúdos – que não tenho… imagino… – largaram à pressa.

Depois, há o design. Roberto Giolito e a sua equipa pegaram no conceito do squircle – a quadratura do círculo, ou o círculo fechado no quadrado, ou........

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