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A gaiola invisível. Entre Kruschev e Almada: o custo de sermos enterrados vivos

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22.07.2026

Em setembro de 1959, Nikita Kruschev aterrou para uma visita aos EUA perseguido por uma frase que proferira três anos antes e que o marcou para toda a Guerra Fria: “Nós vamos enterrar-vos!” O líder soviético passou a viagem a tentar explicar que não falava de mísseis, mas de uma inevitabilidade marxista-leninista: a União Soviética iria ultrapassar os Estados Unidos (e o Ocidente) a nível social, económico e, claro, moral.

Três décadas mais tarde, em 1989, Boris Ieltsin entrava num supermercado em Houston. Pedira, surpreendentemente, até, para os seus assessores, para fazer um desvio. Perante a abundância (para ele) inacreditável de produtos e a variedade de pães – num contraste doloroso com a escassez sistémica em Moscovo –, desabou: “O que fizeram ao nosso povo!”

Se o primeiro tentara vender uma superioridade que se revelava, já à época, fictícia, o segundo testemunhou o colapso empírico da utopia coletivista.

Estes episódios não são retórica, nem fake news, ou resultado de uma mente sórdida. São........

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