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Portugal entre dois impérios digitais

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19.08.2026

Encontramos o nome de Portugal numa lista que a maioria dos portugueses desconhece, entre 35 países que assinaram em junho a Declaração de Oportunidade em Inteligência Artificial (IA) promovida por Washington. É precisamente a esse grupo de países que dirige agora uma carta do Departamento de Estado, obtida pela Reuters, que exige uma escolha binária. Ou escolhemos a aliança americana ou a aliança chinesa, mas nunca as duas.

Convém recordar como chegámos até aqui. A declaração é a antecâmara da Pax Silica, aquela aliança lançada em dezembro passado por Donald Trump para garantir cadeias de fornecimento de chips, minerais críticos e modelos avançados de IA. Mais de duas dezenas de países já lá estão e a União Europeia, enquanto bloco, só aprovou a assinatura a 8 de junho, depois de a França se ter oposto inicialmente à participação europeia. 

Portugal seguiu a posição comunitária sem debate público relevante, coerente com o padrão conhecido de aderir a compromissos internacionais sem que o debate interno acompanhe a dimensão do que está em jogo.

O alvo implícito da carta é a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), criada por Xi Jinping em julho, com sede em Xangai, para difundir modelos de IA abertos que qualquer país pode descarregar e adaptar. Vinte e nove países são membros fundadores, tais como a Rússia, a Indonésia, a África do Sul e o Brasil. Só o Cazaquistão conseguiu, até agora, estar nos........

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