Com a “Agêntica”, assinar pode não ser decidir
Há mais de cinco décadas que assistimos aos surtos que periodicamente assolam a reforma do Estado Português. Cada um chega com um nome novo. Cada um promete a cura definitiva. Cada um repete o mesmo prognóstico. Depois da desmaterialização, do cloud-first, da soberania digital anunciada antes de existir, chega agora o agente patogénico, a que chamamos “agentomania”. Chamam-lhe “Agêntica” ou Agentic State, em linguagem de palco da Web Summit. Dizem que se trata do Estado em ação, mas para nós não passa, mais uma vez, de um Estado apressado sem qualquer transparência.
A Agêntica de Inteligência Artificial é real com o seu potencial de automatização algorítmica de tarefas. Tem potencial legítimo, mas não é o que acontece àquilo a que chamamos agentomania. A agentomania é o que acontece quando a tecnologia vira propaganda antes de existir arquitetura, dados interoperáveis ou responsabilização jurídica. Primeiro anuncia-se o agente e depois procura-se o problema. É a inversão que já vimos na nuvem soberana, que é soberana apenas no nome e não de facto, apenas para abrir caminho à avidez de fornecedores e interesses privados.
Os números são grandes, pois como sempre os anúncios........
