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Defender e afirmar a Europa

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20.01.2026

Para nós, europeus, estupefação é a palavra mais adequada para traduzir o sentimento suscitado pelas ações, já concretizadas ou anunciadas, de Trump.

Espanto é pouco, para o que está em causa. E manifestar espanto também não abona a nossa capacidade de leitura e antecipação.

Na Europa deixou de ser legítimo brincar aos Chamberlains. Seja quando se olha para Leste, seja quando se olha para o Sul, seja também quando se olha para Ocidente. E este é o dado novo.

Era evidente que um segundo mandato de Trump à frente da nação norte americana seria um tempo de maximização de tendências isolacionistas e supremacistas. Um tempo de pseudo nacionalismo desmedido.

E eram de antever as enormes consequências que dai adviriam para o Mundo. Tal como uma andorinha não faz a Primavera, também um homem, por si só, não põe em causa o equilíbrio global. Porém, quando essa pessoa lidera a mais importante e a mais referencial Nação do Mundo, o caso muda totalmente de figura. É isso que se passa com Trump, agravado pelo que é o seu inner circle no interior da Administração norte-americana: Vance, Rubio e Hegseth, para referir apenas os que têm maior peso para as relações internacionais.

É aqui que estamos. Uma situação preocupante para nós, europeus, que até agora integrávamos algo a que chamávamos Ocidente e de que os EUA eram lideres incontestados. Temos que estar tristes e apreensivos, mas é hora de estarmos sobretudo motivados para encontrarmos e promovermos uma adequada reação. Contra ninguém, sempre fundada nos valores europeus de apego à Paz e de busca de cooperação, mas afirmadamente a nosso benefício e salvaguarda.

A primeira medida da tristeza deve ser a pena que nos causa ver esta trágica deriva dos EUA, antecipando com isso as negras consequências políticas, económicas e sociais que se perfilam no horizonte para a sociedade norte americana e para os seus cidadãos, que em medida ainda larga se revêm extensamente em valores civilizacionais e culturais semelhantes aos nossos.

O susto decorre do sobressalto que resulta para o quadro regulatório que tem vigorado nas últimas décadas para os Estados que se empenharam em ser decentes, e que só assim se entendem enquanto atores na sociedade internacional. Só por ilusão podemos continuar a viver como se as Nações Unidas, pese embora todo o seu valor intrínseco, funcionassem efetivamente como um órgão normativo........

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