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A cartada Ebadi

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19.03.2026

Prémio Nobel da Paz em 2003, a iraniana Shirin Ebadi visitou Portugal em 2009 para lançar o livro A Gaiola de Ouro, uma autobiografia da mulher que foi a primeira juíza do país, no tempo do xá, mas depois foi proibida de exercer pela República Islâmica proclamada em 1979, contrária a mulheres a presidir a tribunais. Entrevistei-a então para o DN, juntamente com Lumena Raposo, em Lisboa, num momento em que Ebadi não sabia ainda se poderia regressar ao Irão, pois a contestação popular, após umas eleições presidenciais consideradas manipuladas em favor do candidato favorito do regime, tinha gerado uma onda de perseguição aos críticos dos ayatollahs, mesmo os que optaram pela via pacífica, como a antiga juíza.

Hoje, quando se lê nos jornais os textos biográficos sobre a famosa antiga juíza que, depois, conseguiu exercer como advogada, 2009 surge como o ano do exílio definitivo em Londres, pois a relativa proteção que lhe dava o ser uma premiada Nobel já não era suficiente para garantir a sua segurança.

Uma segunda Nobel da Paz iraniana, Narges Mohammadi, premiada em 2023, continua presa. Mohammadi, que seguiu a luta de Ebadi, é defensora dos Direitos Humanos e, apesar dos apelos do marido e filhos, exilados em França, foi condenada mais uma vez em vésperas do início da guerra por atividades contra o regime........

© Diário de Notícias