O despertar do samurai. Tóquio já não pede licença a Pequim
No dia 17 de abril de 2026, um contratorpedeiro japonês atravessou o Estreito de Taiwan durante quase 14 horas. O gesto foi simples, tecnicamente irrepreensível e politicamente calculado. O Ikazuchi navegou em águas internacionais, como o Direito Marítimo permite. Pequim reagiu com comunicados e vigilância. O que não fez foi tentar impedir a travessia.
É nesse silêncio operacional que reside o essencial, já que, durante décadas, o Japão apresentou‑se como um ator militar autocontido, quase relutante, limitado pelo artigo 9.º da Constituição e por uma cultura estratégica marcada pelo trauma do século XX. Essa fase não acabou de um dia para o outro, mas está claramente a ficar para trás. A passagem do contratorpedeiro não foi um acidente, nem uma rotina irrelevante. Foi uma mensagem, não tanto dirigida ao público, mas aos decisores.
Bem sabemos que a China investiu nos últimos anos numa narrativa de facto consumado. Taiwan seria como um problema interno, o estreito........
