O Pacto de Meca e a ilusão dos blocos
Três países muçulmanos sunitas assinaram uma Defesa comum. Mas a fé partilhada não faz uma estratégia partilhada, e o que hoje os une é o que amanhã os pode dividir.
Assinou-se em Meca, a 7 de Agosto, um pacto de Defesa conjunta entre a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia, com uma cláusula decalcada do artigo 5.º da NATO: um ataque a um será ataque a todos. A leitura fácil diz que o Golfo se afasta dos Estados Unidos à procura de outro guarda-chuva. É pobre: o que interessa neste pacto não é a força aparente, é a fragilidade estrutural.
Não é uma aliança no sentido próprio, é um alinhamento de conveniência entre três Estados que, tirando o Islão sunita, têm pouco em comum: etnias distintas, geografias de ameaça que não coincidem, culturas estratégicas que nunca operaram juntas no terreno. Anunciaram-se estruturas de coordenação, mas não uma única obrigação militar concreta. Instituições sem obrigações não desmentem a fragilidade, provam-na.
Cada um assina o mesmo papel a olhar para uma guerra diferente. A Arábia Saudita traz o capital e a ansiedade: a mais rica dos três, bem armada e militarmente fraca, vive, desde o ataque a Abqaiq e Khurais, em 2019, com a dúvida de saber se o guarda-chuva americano a cobre sempre ou só quando convém........
