Numa democracia não existe culpa coletiva
As imagens vindas de Belfast na semana passada perturbam por três razões distintas.
A primeira é o crime. Um homem ficou gravemente ferido num ataque à faca alegadamente cometido por um requerente de asilo. A violência do ato gerou indignação legítima e o agressor deve ser julgado e, se provada a culpa, punido.
A segunda razão é o que aconteceu a seguir. Nos dias seguintes ao ataque, eclodiram motins e agressões contra casas de imigrantes. Pessoas sem qualquer ligação ao crime foram atacadas apenas por serem percecionadas como estrangeiras. A lógica era simples e errada: se pertenciam à mesma comunidade, então partilhavam a mesma culpa.
Mas a reação mais digna de nota veio de onde menos se esperaria. A família da vítima apelou publicamente à calma e pediu que ninguém confundisse o agressor com uma comunidade inteira. Em plena dor, recusou transformar uma tragédia individual numa........
