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“O salário mínimo não pode ser a...”

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friday

As recentes declarações de Gustavo Paulo Duarte, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, tiveram o mérito de colocar no centro do debate uma realidade que se sente cada vez mais dentro das empresas. Ao afirmar que “o pior inimigo do salário médio é o decreto do salário mínimo”, chamou a atenção para um problema real: quando o salário mínimo aumenta muito acima dos restantes salários, não estamos apenas a melhorar a remuneração de quem ganha menos. Estamos também a comprimir toda a estrutura salarial. E é importante dizê-lo com clareza: o problema não está no aumento do salário mínimo. Portugal tinha, e continua a ter, salários baixos e pouco competitivos quando comparados com os países mais desenvolvidos da União Europeia. No entanto, o salário mínimo passou de 505 euros, em 2015, para 920 euros, em 2026. Ou seja, cresceu cerca de 82% em pouco mais de uma década, permitindo melhorar o rendimento de muitos trabalhadores e corrigir atrasos que se tinham acumulado durante demasiado tempo. Mas, para muitas empresas, esta evolução não foi acompanhada por um crescimento proporcional da atividade e, sobretudo, do valor acrescentado bruto ou da produtividade. Esta diferença é essencial para compreender o esforço realizado pelo tecido empresarial. Importa recordar que os salários não são pagos pelas receitas. São pagos pelo valor que as empresas conseguem criar e pela margem que permanece depois de suportados todos os custos da atividade. Mesmo quando a faturação aumenta, isso não significa necessariamente que a........

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