“Tram-Train para Braga”
Passam anos sem que a mobilidade se resolva, com promessas que não saem do papel, com a falta de soluções para Braga. Não só para a cidade, mas para o concelho e para a região. Hoje em dia, o Ramal ferroviário de Braga, dentro do concelho, é servido apenas por uma média de 3 comboios por hora, nos dois sentidos. Quem está na Estação de Arentim pode optar por: vir de carro para o centro (30 min), vir de autocarro dos TUB (45 min), vir de comboio (12 min). A escolha óbvia seria a ferrovia, mas o comboio só passa de longe a longe. Para quem achar que não há procura ao longo da linha de comboio, as freguesias que são servidas pelo comboio, sem contar com a estação terminal, representam um universo de 22 mil pessoas residentes, fora todas as restantes que se movimentam para essas freguesias para trabalhar ou estudar. Ou seja, falta oferta e falta serviço, que o operador CP - Comboios de Portugal não dá. O ramal de Braga, gerido pela IP - Infraestruturas de Portugal, pode lá ter outros operadores a fazer outros serviços em complementaridade com a CP. O Amar e Servir Braga tem vindo a defender que a aposta a médio/longo prazo em Braga deve ser a ferrovia. E isto aplica-se à ferrovia pesada, mas também à ferrovia ligeira. A estação da linha de Alta Velocidade de Braga terá de ser projetada para acomodar as linhas do atual Ramal de Braga e as novas linhas Braga-Vila Verde e Guimarães-Braga-Barcelos-Esposende. Só há uma localização para isso, já estudada pela Infraestruturas de Portugal: Ferreiros, onde a linha de Alta Velocidade se cruza com o Ramal de Braga. Essa opção estratégica deve ser defendida pelo Município de Braga junto da IP. Isto é a ferrovia pesada, que será para o médio/longo prazo. Para o curto prazo precisamos de uma solução de transporte público interno. O tram (elétrico de superfície que opera sob carris) deverá funcionar em rede, com várias linhas. A primeira linha deve ser lançada entre a ponta Este do Concelho (São Mamede D’Este) e a ponta Oeste do Concelho (Arentim). Para isso terá de ser um tram-train, uma tecnologia inventada na Alemanha nos anos 90 do século passado, quando o Metro do Porto estava a ser construído. O tram-train é um elétrico híbrido, que permite que o mesmo veículo possa circular numa linha de elétrico, inclusivamente em zona pedonal, como em Saarbrücken acontece. Ao mesmo tempo pode circular no canal ferroviário pesado, até ao lado de um comboio de alta velocidade. O fojo já podia acolher o espaço canal para um transporte público de massas, mas infelizmente esqueceram-se do transporte público na intervenção que está em curso. Mas podemos ter um tram em Braga? Não somos demasiado pequenos? Depois de em 1992 ter entrado em funcionamento o primeiro tram-train em Karlsruhe, estes sistemas têm-se generalizado um pouco por toda a Europa. Atualmente há tram-trains não só em grandes cidades como Paris, Roma, Manchester, Sheffield, The Hague, Lyon ou Nantes, mas também há em cidades médias, como Cardiff (372 mil habitantes), Alicante (348 mil), Karlsruhe (308 mil), Aarhus (250 mil), Chemnitz (245 mil), Kassel (197 mil), Saarbrücken (183 mil), Szeged (160 mil), Mulhouse (130 mil), Bergamo (120 mil), Sassari (120 mil), Cadiz (116 mil), Nordhausen (40 mil) ou Gmunden (13 mil). O tram-train é viável, é oportuno, é de fácil implementação e tem elevado retorno do investimento. Isto permitirá ligar rapidamente o concelho de Este a Oeste e trabalhar em ligações Norte a Sul, permitindo que Braga e Vila Verde tenham serviço. O tram-train pode até vir em carris desde Nine até São Mamede, cruzando o centro de Braga, com frequência de 10 em 10 minutos, pode ter composições duplas, com portas nos dois lados dos veículos e veículos bidirecionais. Braga pode ter serviço de transporte público de massas pelo menos 21h por dia! Isto não é um sonho, pode ser uma realidade, assim haja vontade política e capacidade de execução. A mobilidade induz-se, com projetos estratégicos para o concelho e para a região.
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