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“Que farei quando tudo arde? (*) ”

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30.06.2026

O regresso de Santana Lopes e a ostensiva e, de certa forma, dolorosa, ausência de Passos Coelho terão sido os acontecimentos mais marcantes do último congresso do PSD. Congresso que, dado o seu enquadramento temporal, logo a seguir ao humilhante chumbo do pacote laboral, na Assembleia da República, suscitava enorme interesse. Numa altura em que parte do PSD está surpreendida, e outra indignada, pela crescente intensificação das intervenções públicas do antigo líder social-democrata, o congresso criou uma manobra de diversão, através do regresso de Santana Lopes, como se esse fosse o ponto mais relevante do conclave. É certo que a afirmação governativa, designadamente a apresentação que Luís Montenegro fez de um conjunto de dez novas medidas reformistas, marcaram fortemente um congresso, claramente ensombrado pelo chumbo da reforma laboral. O problema é que nos últimos tempos Passos Coelho não se coibiu de criticar, por vezes com particular dureza, a acção governativa, chegando mesmo a alertar para a necessidade de imprimir maior ritmo. O antigo primeiro-ministro escudou as suas críticas numa alegada impaciência dos portugueses, mas foi bastante mais longe e duro quando caracterizou a geração de actuais dirigentes políticos como gente “sem princípios e sem vergonha”. É evidente que a acutilância e gravidade de tais vocábulos não poderiam ser bem recebidas no seio do PSD, tanto mais que Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar do partido no tempo de Passos Coelho. Por outro lado, a notória proximidade do antigo líder e primeiro-ministro ao presidente do Chega, bem patente........

© Correio do Minho