“Post Scriptum”
Decorreu este fim-de-semana o congresso do Partido Socialista. Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, o PS reuniu-se sem ser ou o partido no Governo ou o partido que lidera a oposição. Esta mudança de paradigma, apesar de não assumida, sentiu-se e intuiu-se. O ponto fez-se na linha de abertura do discurso de José Luís Carneiro, no primeiro dia do congresso, com um surpreendente “Afinal, estamos vivos”. Pelos vistos havia dúvidas. Este grito do Ipiranga contra as garras do ocaso político aparece como contraditório a quem esperaria uma convicta mensagem de vivência e não sobrevivência política. É certo que o peso do Chega no debate político, durante anos promovido taticamente por António Costa, obriga o PS de hoje a anunciar que o PS de amanhã existirá e, se a saudinha o permitir, permitirá expurgar da política nacional qualquer resquício da extrema-direita do panorama político nacional. O regresso ao poder é obviamente uma necessidade para um partido de poder, mas a tergiversação quando se pede convergência e comprometimento reformista é um perigoso caminho para quem se quer apresentar de cara lavada aos portugueses. As ameaças veladas – “Se o Governo escolher ventos, terá tempestade”........
