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“Cuidar de quem cuida: quando a...”

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27.06.2026

Há uma pergunta que o país continua a evitar: quem cuida dos profissionais que diariamente cuidam de todos nós? Durante anos, a discussão sobre a saúde mental dos profissionais de saúde foi remetida para a esfera individual. Falou-se de resiliência, de adaptação, de capacidade de lidar com a pressão. Como se a exaustão fosse apenas uma fragilidade pessoal e não a consequência previsível de sistemas organizacionais submetidos a uma pressão permanente. Mas a realidade é mais dura e mais incómoda. Os profissionais de saúde, particularmente os Enfermeiros, trabalham diariamente na fronteira entre a vida e a morte, entre a esperança e o sofrimento, entre a recuperação e a perda. São confrontados com a dor humana numa intensidade que poucos contextos profissionais conhecem. Todavia, a exigência emocional inerente ao cuidar deixou de ser o único desafio. Hoje, muitos profissionais enfrentam equipas insuficientes, horários desajustados, sobrecarga assistencial, exigências burocráticas crescentes e uma escassez persistente de recursos humanos. Em muitos serviços, o esforço extraordinário transformou-se numa normalidade organizacional. Quando isto acontece, a exaustão deixa de ser uma possibilidade e transforma-se numa inevitabilidade.........

© Correio do Minho