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“O patriotismo do Senhor Sério ”

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24.05.2026

O Senhor Sério é uma espécie humana que vive em permanente estado de crítica aos circunstantes, a amofinar o vizinho, a acusar os outros das maiores patifarias. E a condenar asperamente tudo o que venha do Governo, do Estado, ou das autoridades legítimas, todos “um bando de fdp…”. As suas constantes destilações de fel e vinagre são feitas, de preferência, devidamente acobertado no cobarde anonimato das caixas de comentários dos jornais mais lidos na região, ou, em primeira instância, construindo uma dúzia de perfis falsos, sem fotografia ou com a foto de quando tinha irreconhecíveis cinco anos de idade. Assim, estará mais à vontade para vomitar o seu ódio pestilento e destilar a verrina da sua censura a tudo e a todos. O Senhor Sério passa a vida a reprovar o seu próximo porque colocou a balde do lixo fora das horas de recolha, mas não se coíbe de fumar e deitar as beatas para o chão, enquanto passeia o seu cão pelo jardim e faz vista grossa à grossa imundície que o Bobi amontoou na relva. “A Câmara que mande limpar…” – é a sua definitiva ejaculação. Como também reprova vigorosamente o vizinho do lado por não pagar todos os seus impostos e vem sempre com a homilia: “se todos pagassem o que devem, como é sua obrigação, todos pagávamos bem menos em termos de carga fiscal. É por isso que o país não sai da cepa torta…”. Mas o Senhor Sério tem como lema de vida escapar-se aos impostos, sempre que pode. Jamais pede uma factura relativamente às suas compras e aquisições de bens ou serviços. Justificativa: “para eles não saberem onde eu gasto o meu dinheiro”. Claro que foge ao pagamento do IVA, quando tem essa possibilidade e não declara as vendas que faz da sua actividade de profissional liberal. E tem uma fragorosa argumentação: “só os otários é que pagam tudo o que devem pagar. Nanja eu, que não sou........

© Correio do Minho