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“Acabar com a corrupção! ”

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29.03.2026

1. Um tema recorrente no espaço público e mediático é o que se relaciona com o combate à corrupção. Velho e relho tema, sem dúvida. Surge a cada passo, na espuma dos dias, a propósito de uma investigação, prisão ou julgamento relatados pela comunicação social. Como surge, se calhar mais amiudadas vezes, por força do combate político do partido da extrema direita populista, que passa a vida a encher a boca com o slogan “acabar com a corrupção”, mas nunca ninguém vislumbrou uma proposta, por singela que seja, para materializar tal desiderato. Claro que cai bem em certos meios, em determinados contextos, falar de corrupção, enquanto uso indevido de poder, cargo ou recursos para obter vantagens pessoais ou para um grupo, geralmente de forma ilegal e da necessidade de a combater energicamente. Porém, só não aponta meios, nem formas, nem estratégias, nem recursos para o concretizar. Um discurso oco, vazio e sem conteúdo, que apenas convence quem se quer deixar convencer. É um pouco dar razão ao que este fim de semana escrevia no Expresso o antigo Presidente da República, Cavaco Silva, segundo o qual o Chega não passa de “uma força política desprovida de uma ideologia minimamente coerente que tem revelado uma óbvia impreparação técnica para falar de políticas para o progresso do país e que tem como marca distintiva a retórica da confrontação e o discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira”. Nessa retórica se enquadra naturalmente o tema da corrupção, mais pela percepção de que é uma arma de arremesso para atacar permanentemente o regime democrático, porque do agrado do povoléu, do que pela convicção íntima de que seja possível erradicar o flagelo, estrutural na sociedade portuguesa. Um dos vectores desse palavreado para encantar os mais ignorantes recorre à mistificação de que as cinco........

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