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Oscar, um monumento sempre vivo de Brasília

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Morreu Oscar Schmidt. Não o Mão Santa, não o maior cestinha olímpico, não o que derrotou a lendária seleção americana em seu próprio país, não o que recusou a NBA para continuar defendendo a Seleção Brasileira. O atleta nunca morrerá. Os ídolos sempre serão salvos na memória. Mas será mesmo possível separar esse cara que fez história no basquete mundial do Oscar menino, pai de família, palestrante, emocionado, devotado ao esporte e à vida?

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Ele sempre me pareceu diferente dos tantos ídolos que acabam por se distanciar da própria história, alforriados do passado, tornando-se eles próprios os troféus ou os pódios, como se virassem estátuas de pedra, de museu, pessoas encasteladas em suas obras, em seus recordes. Oscar não vivia à sombra de ninguém, nem dele mesmo.

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Tinha uma força visceral que, apesar de emergir da quadra, não ficava só lá. Suas falas eram fortes e emocionadas; suas escolhas, coerentes com seu jeito de ver a vida, sem afetação, com intensidade. Bola na mão; pé no chão. Bem posicionado nesse estranho lugar que virou o mundo. Focado no trabalho de salvar o outro com palavras quando a bola já não era o sustento nem o alento.

Aquele Oscar que chegou ao Clube de Vizinhança ainda menino para iniciar uma relação de amor com a bola laranja partiu às vésperas do aniversário de 66 anos da capital. Foi aqui que se projetou como grande atleta e saiu para o mundo. Tinha um carinho incrível pela capital e fazia questão de relembrar a passagem por aqui, de homenagear o mestre e treinador Laurindo Miura, que o iniciou e posicionou corretamente sua mão para uma trajetória de arremessos espantosa e digna de aplauso mundial. Brasília tem essa coisa de ser trampolim para o infinito. Tanta gente boa floresceu por aqui! 

A dimensão do afeto de uma cidade por um ídolo se revela na perda. As mensagens que chegam à redação do Correio após a notícia da morte não apenas se multiplicam — vêm carregadas de emoção. É esse luto espontâneo e coletivo que traduz, com precisão, o tamanho do legado, retratado em edição especial conduzida pelo editor de Esportes, Marcos Paulo Lima, em homenagem a uma das maiores lendas do basquete mundial.

Nosso cestinha venceu até mesmo o que parecia invencível. Diante daquilo que não se derrota continuou a parecer vitorioso. O câncer que atravessou mais de uma década de sua vida foi vivido, combatido, transformou sua jornada, mas não o deteve, não o aprisionou, não o impediu de viver grandes momentos.

Oscar foi cedo, sim, mas foi inteiro, e assim permanece para nós. Ele dizia que "não era talento, era treino", um lembrete de que há sempre um trabalho a ser feito, mesmo quando a vida precisa mudar. Depois da carreira no esporte, a voz virou trunfo, aliviando desconfortos e sofrimentos, inspirando tantas pessoas nos palcos e nas entrevistas. Hoje, todos os chamam de lenda. Ele é. Mas também é um monumento. Um monumento sempre vivo de Brasília. Rip, Oscar!

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Diretora de Redação do Correio Braziliense


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