O voto não basta: a democracia exige participação
A frase de Lima Barreto – “O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote” – atravessa o tempo com inquietante atualidade. Ao contrapor “povo” e “público”, o autor não faz mero jogo de palavras: ele denuncia uma democracia esvaziada de participação, onde muitos assistem, poucos intervêm e decisões coletivas acabam sequestradas por interesses restritos.
Ser “público” é ocupar o lugar do espectador. É consumir notícias, comentar acontecimentos e, no máximo, indignar-se diante de escândalos que se sucedem. Já ser “povo” implica ação: organização, pressão, presença constante nos espaços de decisão, formais e informais. Numa democracia saudável, o voto é apenas o ponto de partida – nunca o ponto de chegada.
República é a lei em ação a serviço da sociedade
Constituição e vida pública serão tema de nova coluna do Campo Grande News
A própria Constituição brasileira oferece instrumentos claros para que a sociedade ultrapasse a condição de plateia. A iniciativa popular de projetos de lei permite que cidadãos proponham diretamente normas ao Legislativo, desde que reunidos os apoios necessários. A........
