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Geração de cristal e o medo de perder

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23.02.2026

Há algumas décadas, entrar em uma quadra poliesportiva, em um campo de futebol ou em uma pista de atletismo de base significava, para muitos jovens, o primeiro contato real com a disciplina e a hierarquia. O treinador era uma figura intocável. Sua voz grossa e a exigência de repetição exaustiva não eram vistas como grosseria, mas como método. Errar um saque ou um passe podia render uma série de sprints; contestar uma decisão podia resultar em banco. O objetivo era forjar não apenas atletas, mas indivíduos resistentes à pressão.

Hoje, esse cenário mudou drasticamente. Relatos de treinadores das categorias de base do vôlei, basquete, atletismo, futebol e de outros esportes revelam uma realidade inversa: o técnico tornou-se refém do seu próprio elenco. Qualquer tom de voz mais elevado ou cobrança mais incisiva gera, imediatamente, uma ligação para os pais ou, nos casos de atletas mais estruturados, a intervenção de empresários e representantes. O treinador que “berra” não é mais visto como um formador, mas como um agressor.

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O resultado é um ambiente higienizado, onde a competitividade é substituída pelo cuidado excessivo com a autoestima, criando o paradoxo da proteção. Este fenômeno, embora nascido de uma nobre intenção de proteger a saúde mental dos jovens, criou um paradoxo perigoso. Ao blindar o atleta da aspereza do treinador, a família o priva de um laboratório fundamental para a vida: o treino não é a vida real. A vida real, seja no esporte profissional ou no mercado de trabalho, é indiferente ao seu........

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