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Comitivas mineiras não usavam cavalos, vinham com burros

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03.03.2026

Durante decênios, os sul-mato-grossenses não levavam suas boiadas para Minas Gerais ou São Paulo, eram o mineiros que vinham para este imenso território comprar gado e transportá-lo para Uberaba. Ocorria no ramerrão do cotidiano dos fazendeiros locais, uma vez ao ano, a chegada alegre, barulhenta das comitivas mineiras. Os peões montados em burros.

O primeiro era o cozinheiro.Além de não utilizar cavalos, ao contrário dos sul-mato-grossenses, outra diferença era o ordenamento da comitiva. A dos mineiros era capitaneada pelo cozinheiro. Chegavam com sua tralha de cozinha e mantimentos, alojados nas bruacas de couro, transportados em ambos os lados das cangalhas.

Seis ou sete peões.A tropa de peões era invariavelmente pequena, apenas seis ou sete peões. Desencilhavam as montarias, passavam-lhe água pelo lombo e as soltavam. Era um espetáculo. Cansados, os animais rolavam sobre si mesmos e punham-se a pastar. Só ai, o condutor anunciava quem comandava a comitiva ou para quem seria o gado a ser comprado.

Tudo muito organizado.A mineirada guardava outra tradição que chamava a atenção: eram muito organizados. Depois de tomarem o café, sempre fraco e muito doce, as bruacas eram alinhadas em ordem, rentes umas às outras, de maneira que pudessem dispor de todos os gêneros que traziam. Só depois do café, o fazendeiro do Mato Grosso do Sul colocava sua cavalhada em forma e dava rodeio no gado vendido, para o aparte do comprador.

A viola e a catira.À noite, depois da negociação encerrada, o violão e seu dono quebravam o silêncio. Passado o jantar, ouvia-se o canto e ao mesmo tempo, o sapateado da catira. Todos da fazenda ouviam a festa dos mineiros e suas histórias.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.


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