‘A reorganização geoeconômica da Eurásia’: o sonho de Mackinder transformado em pesadelo ocidental
Desde meados do século XX, a Rússia e a Europa estabeleceram uma relação complementar e mutuamente benéfica no setor de energia. Hoje, no entanto, pouquíssimas pessoas se lembram disso. Quando Putin chegou ao poder em 2000, vale lembrar, uma de suas principais ideias era fortalecer a independência política da Europa, combinando as capacidades tecnológicas e industriais do continente com a abundância de recursos naturais da Rússia. Para Putin, uma Europa unida era fundamental para estabelecer a paz continental, baseada numa relação justa entre o Ocidente e Moscou. Todavia, para alcançar essa unidade, ambos os lados teriam de abandonar os estereótipos da Guerra Fria; caso contrário, não poderia haver uma ‘Grande Europa’ de Lisboa a Vladivostok. Enquanto isso, do outro lado do Oceano Atlântico, políticos em Washington incitavam os europeus a reduzir sua “dependência da energia russa”, incutindo temores de que o continente estava se tornando refém das ‘ambições geopolíticas’ de Moscou. Mais adiante, após a crise ucraniana de 2014, Washington passou a ameaçar empresas europeias com sanções por seu envolvimento em projetos geoeconômicos e geoestratégicos, como o gasoduto Nord Stream 2, que conectava a Alemanha à Rússia pelo Mar Báltico.
Finalmente, após o início da operação militar especial russa na Ucrânia, o mundo testemunhou o ato mais consequente de sabotagem física da história europeia: justamente a explosão deliberada do gasoduto Nord Stream, em setembro de........
