Milei rasga o pacto firmado há 41 anos
Insultando o presidente Lula, o Brasil e os brasileiros, Javier Milei chegou ao ponto mais vergonhoso de sua sabujice a Trump e Rubio e confirmou, mais uma vez, sua insuficiência moral e política para o cargo que ocupa.
Por isso, e por nenhuma razão de Estado, sua verborragia ultrajante causou o maior estremecimento diplomático entre as duas nações desde que, há 41 anos, os presidentes Sarney e Alfonsín firmaram, em 30 de novembro de 1985, a Declaração de Iguaçu. Por ela, Brasil e Argentina renunciaram às rivalidades do passado e firmaram uma aliança estratégica para a consolidação da democracia e o desenvolvimento recíproco, baseada na amizade, na confiança e na cooperação. Da evolução deste acordo nasceria o Mercosul.
Milei pisoteou este documento histórico com seu discurso na convenção que lançou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Nunca antes um governante estrangeiro havia pisado o solo nacional para nos ofender e insultar, tomando partido na disputa eleitoral interna.
Eu era uma jovem repórter em 1985 e cobria a Presidência da República para o jornal O Globo quando houve o encontro na fronteira entre Sarney e Alfonsín para a assinatura do documento. Suspeito hoje que sua importância não foi bem avaliada na época, inclusive por mim.
Em março daquele ano havíamos posto fim à ditadura com a posse de Sarney em lugar de Tancredo Neves. Na Argentina, a ditadura havia caído no final de 1983, com a posse de Raúl Alfonsín, após uma grave crise econômica e a derrota na Guerra das Malvinas.
A declaração conjunta abordou os mais diversos aspectos da relação bilateral que, dali para a frente, comporiam a aliança estratégica........
