Inês vive, Inês venceu
Inês merecia ter vivido para colher este triunfo inédito, a condenação, pela Justiça Federal, daquele que a estuprou duas vezes, o ex-sargento do Exército Antonio Waneir Pinheiro de Lima, um de seus algozes na Casa da Morte de Petrópolis, um dos centros de tortura e assassinatos mantidos pelo aparelho repressivo da ditadura. Ele está vivo e com mais de 80 anos.
Mesmo não estando mais entre nós, Inês Etienne Romeu novamente assume papel pioneiro e corajoso na defesa da verdade, memória e justiça para as vítimas da ditadura. Mais uma vez ela contribui para o primado da democracia sobre a barbárie autoritária.
A Lei da Anistia, por seu espírito de reciprocidade, impediu e continua impedindo a condenação de torturadores, mas “Camarão”, como lá era conhecido Waneir, foi condenado por estupro e cárcere privado, na primeira decisão da Justiça baseada no entendimento de que crimes sexuais não estão protegidos pela anistia.
A condenação a 12 anos, 11 meses e 25 dias não é nada diante das violências que ele cometeu contra Inês, que lá na casa do terror era uma mulher em extrema vulnerabilidade física e psicológica, por tudo que já havia sofrido. A sentença inédita pode ser mais uma fresta no portão da impunidade, permitindo a entrada de mais luz sobre a escuridão protetora de tantos crimes que boa parte da sociedade brasileira desconhece. Estes jovens aliciados pela extrema direita não pediriam a volta da ditatura se soubessem o que ela realmente foi.
Mais de 20 militantes que foram levados para a Casa da Morte, mantida pelo Centro de Informações do Exército (CIE), hoje compõem a lista dos mais de 434 brasileiros mortos e desaparecidos durante a ditadura. Inês lá passou 96 dias, entre maio e agosto de 1971, sofrendo todo tipo de tortura, e........
