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Trump aperta o garrote também contra a Groenlândia e a Europa

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24.01.2026

Na terceira semana de janeiro, o gelo polar ártico daquela ilha gigantesca se deslocou para a alpina Davos e esquentou o debate no Fórum Econômico Mundial, relegando os temas da pauta a um nível quase secundário. Além disso, mostrou um ponto de forte tensão entre Washington e seus aliados ocidentais e enfraqueceu as simpatias da extrema-direita em relação ao seu referente na Casa Branca.

Desde 1979, a Groenlândia, com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados de superfície — 81% sob gelo — funciona como um país autônomo dentro do Reino da Dinamarca. Colonizada por povos nórdicos da Islândia no final do século X, após um período de controle norueguês, passou para as mãos dinamarquesas no século XVIII, uma relação que dura até hoje. Em 2009, conquistou autonomia, com direito à gestão judicial, policial e de recursos naturais, deixando nas mãos da Dinamarca a responsabilidade das relações exteriores e da segurança.

Centro do debate no Fórum Econômico Mundial

Já em Davos, na terça-feira, 20 de janeiro, o presidente francês Emmanuel Macron e a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lideraram a tematização da crise groenlandesa, colocando o conceito de uma Europa "independente" no centro de suas declarações.

A soberania e a integridade desse território autônomo dinamarquês são inegociáveis, enfatizou von der Leyen, embora deixem a porta aberta para uma possível colaboração com os Estados Unidos para decidir sobre seu futuro. Por outro lado, alertou, as sobretaxas tarifárias propostas por Trump como retaliação a países europeus que defendem a soberania territorial da Groenlândia constituem um "erro". E prometeu uma resposta europeia "firme, unida e proporcional", ao mesmo tempo em que destacou a amizade que une a União Europeia aos Estados Unidos. Dias antes, o presidente dos EUA havia ameaçado oito países do Velho Mundo – que mobilizaram uma pequena tropa para a ilha – com tarifas mais altas caso não lhe cedessem a Groenlândia.

Von der Leyen antecipou a intenção de fortalecer a segurança no Ártico em colaboração com a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos. Por sua vez, Macron, no mesmo dia do Fórum, defendeu perante as grandes potências uma resposta europeia que não é de forma alguma "tímida" em um mundo onde "a lei dos mais fortes parece reinar".Um dia depois, na quarta-feira, dia 21, em um discurso tão tedioso quanto repetitivo e definitivamente "eleitoreiro", Trump tematizou em primeira pessoa e com atitudes e um tom de capataz do mundo, suas próprias aspirações em relação ao território groenlandês, "aquilo que é apenas um grande pedaço de gelo". Embora tenha assegurado que não usaria violência para apropriar-se dela, reiterou em vários momentos de seu desabafo improvisado que os Estados Unidos deveriam receber a ilha como reconhecimento da Dinamarca, da Europa e da OTAN. Algo como uma demonstração de gratidão por parte de seus aliados por tudo o que o poder americano tem feito por décadas em favor deles e........

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