UERJ em greve: servidores cobram lei descumprida e denunciam colapso salarial de 25 anos
Quando o ex-governador Cláudio Castro assinou a lei que previa a recomposição salarial dos servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), parecia que uma dívida histórica começava a ser saldada. Três anos depois, com duas das três parcelas acordadas simplesmente não pagas, docentes e técnico-administrativos da instituição foram às ruas — ou melhor, às assembleias — para dizer que não aceitam mais esperar. A greve que paralisa a UERJ desde o fim de março é, antes de tudo, uma crise de confiança institucional. E ela tem raízes muito mais fundas do que o descumprimento de uma lei.
Uma lei que virou letra morta
A cronologia é objetiva: os docentes cruzaram os braços em 25 de março, após assembleia realizada em 19 do mesmo mês. Os técnico-administrativos se somaram à paralisação em 9 de abril. O estopim imediato foi o não pagamento das parcelas de 6,5% previstas para 2023 e 2024 pela lei de recomposição salarial. Apenas a primeira parcela — de 13%, em 2022 — foi efetivamente depositada.
“Não é um favor que estão nos devendo. É uma lei. Assinada, publicada, vigente”, resume um dos servidores ouvidos durante a cobertura desta reportagem, que preferiu não ser identificado. A indignação é compartilhada nas assembleias, que têm mantido a greve por unanimidade em todas as votações realizadas até agora.
A lei em questão foi concebida para compensar perdas salariais acumuladas entre 2017 e 2021. Mas os servidores são enfáticos: o problema é muito anterior. O último reajuste real de salários na UERJ data de 2001. Tudo o que veio depois foram recomposições parciais, insuficientes para acompanhar a inflação — e nem essas foram integralmente cumpridas.
A aritmética do empobrecimento
Os números variam conforme o índice utilizado, mas todas as projeções apontam para o mesmo........
