O velho truque do espantalho trans
Em 6 de janeiro de 2026, Donald Trump subiu ao palco do Kennedy Center — agora renomeado Trump-Kennedy Center pela diretoria que ele mesmo indicou — para discursar diante dos republicanos da Câmara em seu retiro anual de partido. O que se seguiu não foi discurso político no sentido estrito: foi performance de tablado, imitação burlesca, teatro de circo eleitoral. Trump simulou ser uma atleta trans carregando pesos "minúsculos", declarou que ela "saiu do palco chorando", e logo em seguida mimou um homem erguendo os mesmos pesos com facilidade acima da cabeça. A cena foi acompanhada de uma fala que merece ser reproduzida em sua integralidade justamente pela indecência que carrega pelo excesso de gemidos proferidos pelo presidente da maior, ainda, democracia do planeta.
O presidente dos Estados Unidos, perante o Congresso de sua nação, imitou publicamente uma mulher trans derrotada, em prantos, devastada — e a plateia aplaudiu.
Não há novidade no conteúdo, mas há, contudo, uma gramática política que precisa ser renomeada.
O espantalho trans não é uma posição ideológica construída a partir de evidências, de debate democrático ou de preocupação genuína com o esporte feminino. É um dispositivo de mobilização que funciona........
